Automação gera impacto na cadeira do setor joalheiro

Novas tecnologias vão afetar empregos e a produção de gemas e joias

Ouro Preto, Minas Gerais (MG), Brasil. Marcos Paulo Torre e Felipe Augusto Santos Rocha (blusa vermelha) trabalham no robô que explora cavernas. Foto: Ricardo Teles

O futuro chegou e, em diversos setores, ajudou a acelerar a crise do desemprego por automação. Agora é a vez da cadeia de suprimentos do setor joalheiro sentir mais de perto esse processo inevitável.

As pesquisas avançam rumo à automação. Com o intuito de buscar padronização e qualidade, funcionários acabam sendo substituídos por interfaces de inteligência artificial e por braços mecânicos.

Na indústria de mineração a automação dos processos ainda não está completa, mas já gera impactos nos trabalhadores empregados no setor na produção de gemas. A expectativa é de que, em pouco tempo, empresas de mineração de diamantes que operam com caminhões autônomos serão capazes de levar seu transporte de minério para a planta de processamento, onde os diamantes em bruto serão separados dos resíduos e dispostos em suas formas brutas em tamanhos diferentes antes de serem enviados para mais agregação. 

Os produtos serão alimentados em máquinas que determinam seu potencial de cor e clareza e, ao mesmo tempo, avaliam onde a pedra se encaixa melhor entre as muitas opções de sortimento. Os diamantes serão lapidados com base no mecanismo de planejamento de um computador da empresa, que analisará como obter o melhor rendimento polido.

A partir daí, as pedras seguirão para o departamento de polimento, onde as máquinas usam inteligência artificial (IA) para realizar o processo de corte e polimento. O diamante resultante receberá uma classificação através de sistemas automatizados que cobrem os quatro Cs. Em seguida, ele será enviado para o joalheiro ou consumidor final e todas as suas informações são carregadas em um programa de rastreabilidade baseado em blockchain ou em nuvem.

Especialistas da área dizem que tudo é questão de tempo para essa realidade se implantar no ramo.  Hoje, para um diamante bruto chegar ao mercado leva cerca de um ano. Com as novas tecnologias esse ciclo será sensivelmente reduzido, possibilitando o joalheiro oferecer ao consumidor final a gema com o corte, a qualidade e tamanho que deseja, num curto espaço de tempo.