Automação afetará produção de diamantes

A automação já é uma realidade na indústria de joias e gemas. O que se discute agora é como a cadeia de suprimentos do setor joalheiro se acomodará com o avanço das novas tecnologias.  A preocupação de alguns líderes do setor é o impacto que a automação terá sobre os trabalhadores que atuam na fabricação de diamantes e em quanto tempo chegarmos à automação completa do processo.

Segundo especialistas em tecnologia, nos próximos anos, empresas de mineração de diamantes que operam com caminhões autônomos serão capazes de levar seu transporte de minério para a planta de processamento, onde os diamantes em bruto serão separados dos resíduos e dispostos em suas formas brutas em tamanhos diferentes antes de serem enviados para mais agregação. Os produtos serão alimentados em máquinas que determinam seu potencial de cor e clareza e, ao mesmo tempo, avaliam onde a pedra se encaixa melhor entre as muitas opções de sortimento. Os diamantes serão lapidados com base no mecanismo de planejamento de um computador da empresa, que analisará como obter o melhor rendimento polido.

A partir daí, as pedras seguirão para o departamento de polimento, onde as máquinas usam inteligência artificial (IA) para realizar o processo de corte e polimento. O diamante resultante receberá uma classificação através de sistemas automatizados que cobrem os quatro Cs. Em seguida, ele será enviado para o joalheiro ou consumidor final e todas as suas informações são carregadas em um programa de rastreabilidade baseado em blockchain ou em nuvem.

Hoje, para um diamante bruto chegar ao mercado leva cerca de um ano e a tecnologia pode encurtar o ciclo, ajudando o comércio a adaptar o bruto ao que o consumidor deseja. Acelerar o processo de fabricação é uma oportunidade que a De Beers já reconheceu e vem adotando em sua estratégia de inovação. 

Procurando maneiras de se mais eficiente, a empresa descobriu que o maior gargalo entre mineradora e consumidor estava no corte e polimento. Isso levou a gigante do ramo a adquirir uma participação de 33,4% na Synova, uma vez que a tecnologia de microjet da empresa suíça tinha a melhor chance de ser adotada pelo setor como uma solução de longo prazo. De acordo com os pesquisadores, essa ferramenta pode acelerar o processo de fabricação de 10 a 20 vezes.

Tudo isso tem implicações para a força de trabalho de manufatura. No passado, a De Beers implantou caminhões sem motorista para certas partes do processo de produção de mineração. Hoje, a empresa está olhando para máquinas autônomas de carregamento, transporte e perfuração que tomam decisões sem intervenção humana. O resultado, de acordo com a companhia, é um processo mais seguro e eficiente, e que permite à indústria contar uma história melhor.